O gênero Isekai encontrou um de seus pilares modernos na figura de Rimuru Tempest. Com o lançamento de That Time I Got Reincarnated as a Slime ISEKAI Chronicles, a Bandai Namco tenta transpor a carismática construção de mundo do anime para os consoles. No entanto, o resultado é um título que caminha na linha tênue entre o fanservice nostálgico e a simplicidade excessiva de um RPG de ação.
Narrativa: Entre a Nostalgia e a Pressa
O jogo convida o jogador a reviver a ascensão da Federação Jura Tempest, cobrindo desde o encontro fatídico com Veldora até o clímax contra o Reino de Falmuth. O grande trunfo aqui é a fidelidade estética, mas o roteiro sofre de uma aceleração desmedida. Eventos fundamentais — como o arco da Shizu, que dá peso emocional a toda a jornada de Rimuru — são omitidos ou resumidos drasticamente, o que pode alienar quem não está com a memória em dia com a obra original.
Para compensar, o título introduz dois arcos inéditos: o Arco da Vingança dos Goblins e o Arco da Nação Religiosa. Embora tragam personagens interessantes como Sumire, a execução em formato de Visual Novel e a ausência de localização para o português (PT-BR) tornam os longos diálogos um teste de paciência, levando muitos jogadores ao inevitável botão de “Skip”.

Gameplay e a Gestão de Tempest
A proposta de intercalar combates com a construção da cidade de Tempest tem um potencial enorme, mas que não floresce totalmente. A administração da vila é rudimentar: você constrói para obter bônus de status, mas a mecânica carece de profundidade estratégica. A expansão limita-se à coleta de materiais e os bônus são temporários e pouco impactantes, servindo mais como um acessório do que como um sistema central de RPG.
No campo de batalha, o jogo brilha um pouco mais. O sistema de combate busca inspiração clara na franquia Tales of, entregando lutas em 2D/3D com animações vibrantes e modelos de personagens muito bem renderizados. Contudo, a estrutura das missões é o maior inimigo da diversão: o ciclo repetitivo de “quest-coleta-combate” e mapas pouco inspirados transformam a jornada em uma experiência monótona após os primeiros capítulos.
![That Time I Got Reincarnated as a Slime ISEKAI CHRONICLES [REVIEW] | Nintendo Switch - Safe Zone](https://i0.wp.com/safezonegames.com/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-16-at-07.21.47-1.jpeg?fit=1280%2C720&ssl=1)
Estética e Imersão Sonora
Tecnicamente, o jogo entrega o que se espera de uma produção da Bandai Namco baseada em anime. Os gráficos são coloridos, fluídos e a dublagem original japonesa é impecável, mantendo a personalidade de cada membro do conselho de Tempest. A trilha sonora, que mistura temas conhecidos com novos remixes, é o combustível necessário para manter o jogador engajado durante o “grind” necessário.

O Caminho da Platina: Um Teste de Resiliência
Para os caçadores de troféus, ISEKAI Chronicles oferece uma platina acessível, mas que exige estômago para a repetição. A maioria dos troféus é vinculada à progressão da história e ações triviais (como usar as fontes termais ou trocar de personagem).
O verdadeiro desafio para os platinadores é o Artefato de Memórias no pós-jogo. Enfrentar novamente cerca de 30 chefes em sequência não é difícil pela mecânica em si, mas sim pela fadiga de repetir batalhas que você já dominou exaustivamente durante a campanha. É um 100% que premia mais a paciência do que a habilidade técnica.

Veredito
That Time I Got Reincarnated as a Slime ISEKAI Chronicles é um jogo de nicho. Ele funciona como uma extensão interativa do anime para os fãs mais devotos que desejam ver seus heróis favoritos em novas situações. Entretanto, como um RPG de ação isolado, ele tropeça em sistemas superficiais e numa estrutura de missões datada.
É uma experiência leve e visualmente atraente, ideal para quem busca uma platina sem grandes picos de estresse, mas que deixa um gosto de “quero mais” para quem esperava a complexidade política e estratégica que Rimuru Tempest tanto preza.
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